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segunda-feira, 6 de setembro de 2010.
 
 

PóLO PODE LIMITAR EXPORTAçõES - 24/01/2008
ELMAR MEURER DE SãO BENTO DO SUL (SC)

Matéria publicada no Jornal Gazeta Mercantil de 2001
Estudo recomenda a indústria de móveis aumentar vendas no mercado interno

A recomendação pode parecer estranha no momento em que o país se esforça para elevar o volume de exportações. Responsáveis pela metade das vendas externas brasileiras de móveis, as indústrias da região de São Bento do Sul, no Planalto Norte de Santa Catarina, precisam dar maior atenção ao mercado interno. A conclusão está em dissertação de mestrado defendida no departamento de economia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Conforme Adelino Denk, autor do estudo, a região de São Bento constitui cluster, por ter completa rede de fornecedores, prestadores de serviços e instituições de apoio, o que lhe confere bom potencial de competitividade em relação aos demais pólos produtores, como o de Caxias do Sul (RS) e Arapongas (PR). Ele ressalva contudo, que São Bento está perdendo oportunidades, apesar da especialização produtiva acumulada, pois precisa superar graves deficiências. Entre as principais, cita o alto grau de dependência do mercado externo e a inserção dependente na economia internacional, o baixo nível de cooperação intra-setorial, a falta de design próprio e a excessiva verticalização a produção (todas as etapas do processo produtivo são realizadas internamente), num momento em que o padrão de concorrência internacional a desverticalização.
As 28 empresas que participam da amostragem obtêm 60% do faturamento na exportação, mas Denk estima que na região o total chegue à cerca de 75%. “Sem abandonar a exportação, deveria ser implementada uma política para melhorar a participação no mercado brasileiro, a fim de diminuir riscos”, diz Denk. Na região é comum empresas direcionarem toda a produção para o exterior. O diretor do programa federal de estímulo a exportação de móveis (Promóvel), Pedro Pamplona, não vê a situação com a mesma gravidade embora recomende que as exportações representem cerca de 60% do faturamento das empresas e que as vendas sejam pulverizadas em muitos clientes.
“Hoje, mais de 80% da nossa receita vêm das vendas externas e não conseguimos aumentar a participação do mercado brasileiro na receita”, conta Nícia Zschoerper, diretora da Móveis Zipperer, fundada em 1923 e que fatura cerca de R$ 12 milhões por ano. Entre as dificuldades que ela aponta para o aumento das vendas locais estão o crescimento da concorrência, em função do surgimento de novos pólos produtores no país, a falta de canais mais adequados para comercializar a produção, a resistência brasileira ao móvel de pinus e a preferência por produtos mais baratos. A Rudnick, fabricante que faturou R$ 78 milhões em 2000, é uma exceção na região e está focada na classe média do mercado interno. No momento estrutura uma rede de lojas, num sistema semelhante ao de franquias. A quarta unidade foi inaugurada na semana passada e a meta é cobrir 30 lojas por ano, segundo o gerente comercial da empresa, Magno Lima.
A Zipperer também sofre com outro problema comum as exportadoras de São Bento do Sul: a concentração das vendas em poucos clientes. “Chegamos a ter apenas um grande cliente nos EUA e isso nos causou problemas. Hoje temos menos de 20 clientes, o que ainda é perigoso”, conta Dona Lícia que não gosta de divulgar muitos números.
A forma de inserção na economia internacional, “dependente”, na definição de Denk, não é exclusivamente da região, mas conforme Pamplona, as empresas de Bento Gonçalves (RS), por exemplo, direcionam parte das vendas para o Mercosul, com design próprio.
Enquanto os consumidores brasileiros ainda resistem aos móveis de pinus, devido aos problemas de qualidade observados na introdução desse produto no mercado, na década de 80, Denk considera que a predominância dessa matéria-prima é um diferencial competitivo. Isso porque trata-se de madeira reflorestada e, como a região de São Bento foi pioneira na utilização de insumo, domina melhor a tecnologia. Hoje, 67% de toda a matéria-prima utilizada pela indústria de móveis na região é pinus, conforme a pesquisa de campo. Essa característica, segundo Denk, precisa ser explorada, com estratégias mais agressivas de marketing.

 
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