A falta de planejamento financeiro ainda é um problema que afeta a maioria dos brasileiros. Para ter uma ideia, 63% das famílias tinham dívidas em julho deste ano.
Quatro em cada dez consumidores inadimplentes dizem que não vão pagar suas dívidas nos próximos três meses, de acordo com um levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito. Um dos principais motivos, segundo 36% dos entrevistados, é a dificuldade de mudar o padrão de consumo. Como explicar esse descontrole com o dinheiro?
Conforme mostram pesquisas da chamada psicologia econômica e de sua área afim, as finanças comportamentais, existem armadilhas cognitivas que influenciam nosso comportamento quando se trata de dinheiro.
“São mecanismos mentais rápidos, automáticos e, muitas vezes, inconscientes, que nos levam a tomar decisões inadequadas”, diz Adriana Rodopoulos, economista com formação em psicologia econômica e sócia-fundadora da Oficina de Escolhas, de São Paulo. É o caso de nossa tendência a empurrar eternamente a decisão de trocar de plano de telefonia ou de TV a cabo mesmo sabendo que o atual nos dá prejuízo.
Para driblar as armadilhas mentais que minam seu orçamento, o primeiro passo é tomar consciência delas. Depois, você pode estudar a melhor estratégia para se forçar, por exemplo, a economizar em vez de apenas gastar.
“Colocar lembretes para você mesmo, incluindo alarmes que alertem o dia de guardar dinheiro, pode ser uma opção para começar a se organizar”, afirma a psicanalista Vera Rita de Mello Ferreira, professora da Fipecafi e membro do Núcleo de Estudos Comportamentais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Romper com o ciclo dos mecanismos automáticos que nos levam a decisões erradas pode ser a chave para conquistar uma vida financeira mais feliz.
 
Confira alguns comportamentos que podem prejudicar suas finanças e quais são os truques para combatê-los:
– Inércia
O que é: tendência de manter as coisas como estão, às vezes de maneira inconsciente.
Como prejudica as finanças: seus efeitos são, em geral, de longo prazo. Trocar de plano de saúde ou pesquisar novas opções para o pacote de TV a cabo dá trabalho, e acabamos deixando para depois. Essas pequenas economias, quando negligenciadas, comprometem o orçamento.
Como lidar com o problema: questione-se sobre a necessidade de determinados produtos ou serviços que você contrata. Se o gasto não valer a pena, elimine a despesa. Outra recomendação é estabelecer um prazo para fazer pesquisas e cortar alguns serviços.
– Aversão à perda
O que é: dificuldade de assumir seus erros e aceitar perdas.
Como prejudica as finanças: suponha que você tenha comprado um carro de 30 000 reais em 48 parcelas e, na metade do financiamento, não consiga mais pagá-lo. A situação racional é repassar o financiamento para outra pessoa. Mas o que acontece, na prática, é que nos apegamos ao que já foi pago, e a dívida só cresce simplesmente porque não conseguimos aceitar a perda do automóvel.
Como lidar com o problema: A regra básica é analisar os riscos embutidos na operação com antecedência. No caso de empréstimos ou financiamentos, observe o Custo Efetivo Total, valor que inclui taxa de juro e encargos financeiros. Lembre-se de pesquisar detalhes, como a taxa de administração cobrada pelos bancos.
 
Fonte: Revista Exame